Diário de bordo!

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sábado, 22 de março de 2014

Loucura Temporal


                                   No anseio de desafogar-se de seus pesadelos e culpas e desejos reprimidos, nossa personagem Isabô escreve frequentemente à seu mais fiel e confidente amigo. Um diário secreto que tem por esconderijo um jardim imaginário fruto de sua mente, que guarda em suas passarelas pegadas de seus sentimentos e as digitais impressas nas pétalas das flores regadas pelas inúmeras lágrimas que derrama.
                                   Eis então, mais uma oração:




Estou envelhecendo...
Somente o tempo por companheiro hoje. E como sempre, muito calado, inócuo. Pretendia ser mais produtiva, mas acabei por fazer uma lasanha de frango com queijo. Estava saborosa, embora eu almejasse mais de mim neste dia.
Sei que posso parecer ingrata, gostaria de ter mais prazer nos dias que me são confiados, porém não consigo interpretar essa minha “ânsia” por coisas não vividas o que, aliás, eu manejo muito bem, a imaginação me é muito saliente, fértil como dizem por aí. Mas o que sinto está muito além do que simples imaginação. Trata-se de algo mais intenso, nocivo a ponto de me deixar só, isolada da realidade em meio à multidão que me cerca. E nem sei mais o que é realidade ou sonho. Tudo se mistura numa homogenia complexa.
Cozinho degustando o vinho do Porto em Portugal, sentindo o perfume e as cores de Santa Catarina no Brasil enquanto corto os temperos. Custo a responder aos chamados, ouço meu nome cinco vezes antes de atender. Finjo entender com um balançar de cabeça educado e sorridente enquanto minha mente viaja veloz através dos anos, passados ou futuros, tanto faz, ela pode. E o tempo fica ali, “parado” me observando debruçado sobre a mão esquerda tendo a direita voltada pra me acolher. Ele é paciente, mas também sei que é impetuoso e quando decide correr, nada o detém.


Tempo... Meu caro amigo e concorrente, perdoe-me! Preciso pedir-lhe que me auxilie nesta minha loucura. Tenho muitos dependentes, sofreriam pela minha falta de coragem de lutar, mas estou sem forças. Preferia sequer ter cogitado a ideia de existir. Gostaria de ter o controle sobre as esferas emocionais que me rodeiam, elas são densas e pesadas demais para soprar. Ajude-me! Ensine-me a respirar, a esquecer, a aceitar, a viver! Obrigada por você não desistir de mim e ser fiel aos seus princípios, amém.

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